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INTRODUÇÃO
Desde a sua descoberta pelo homem, o café assume importante papel na economia e na vida dos povos que o cultivam. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial, desde o século XIX, há pelo menos 150 anos. No País, aproximadamente dez milhões de pessoas se envolvem direta ou indiretamente com o café, em todos os segmentos do setor, desde a produção até a sua comercialização e industrialização. São pelo menos 1.700 municípios cafeeiros, com 300 mil cafeicultores que se envolvem diretamente na produção, com propriedades agrícolas distribuídas principalmente na região centro-sul, nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Paraná. Além do setor produtivo, a comercialização e industrialização de café movimentam um considerável número de pessoas; há no País 450 empresas com registro para exportação e 1.300 indústrias de torrefação e moagem.
A comercialização à nível mundial movimenta uma considerável soma de dinheiro, sendo o comércio que se situa em segundo lugar internacionalmente, perdendo apenas para o petróleo. Cerca de doze a treze bilhões de dólares são gerados anualmente pelo café, através da exportação de mais de 60 milhões de sacas e do consumo interno de mais de 20 milhões pelos países produtores. Historicamente o Brasil ocupa a posição de maior produtor e exportador mundial de café, embora no início do século (1900-1909) era responsável por cerca de 77% das exportações mundiais, reduzindo consideravelmente sua participação ao longo dos anos, para aproximadamente 25% nos dias atuais; contudo, o valor absoluto da receita que aufere com as exportações de café tem se mantido pouco alterado.
O agribusiness do café gera no Brasil cerca de 3 bilhões de dólares/ano, envolvendo uma complexa cadeia que vai desde a indústria de insumos até o uso do coador de papel pelo consumidor final; a cadeia do agribusiness do café é composta por atividades produtivas que envolvem os produtores de insumos, os trabalhadores rurais e suas famílias, os produtores rurais, os maquinistas do benefício e rebenefício, os corretores, as cooperativas e associações de cafeicultores, as indústrias de torrefação e moagem, as indústrias de solúvel, os exportadores, os atacadistas e varejistas e os consumidores finais.
No Brasil, em 1994/95 a receita cambial gerada pelo café na economia nacional foi superior a 2,5 bilhões de dólares, correspondendo a aproximadamente 6% das exportações brasileiras. Contudo, há algumas décadas, chegou a representar 75% da receita cambial brasileira e ainda na década de 1950, alcançava aproximadamente 63% do nosso comércio exterior. Com a evolução industrial teve sua participação relativa gradativamente reduzida na pauta de exportações ao longo dos anos, embora algumas regiões de grande importância para a economia nacional tenham no café a base de sua sustentação econômica, ainda hoje. Exemplo é a região Sul do Estado de Minas Gerais, que produz cerca de 25% do café brasileiro e onde a cultura representa aproximadamente 40% da arrecadação de ICMS, comparável à indústria e ao comércio juntos.
Como se vê, a economia cafeeira é muito complexa e de particular importância para o Brasil. Com freqüência comenta-se entre os cafeicultores que produzir café é relativamente fácil nas nossas condições, graças às tecnologias hoje disponíveis, fruto de um árduo trabalho de pesquisa de várias Instituições Públicas. Comenta-se ainda que a maior dificuldade encontrada no setor é justamente a comercialização, em razão do mercado ser muito especulativo e variar consideravelmente em curto espaço de tempo, por razões de natureza climática (geadas, períodos de deficiência hídrica, chuvas de granizo), alterações de políticas econômicas (mudanças na moeda, planos econômicos) e mesmo a divulgação de previsões de safras, muitas vezes especulativas. Essas razões fazem com que o mercado internacional de café seja sempre muito volátil, alternado por períodos de consideráveis "altas" com períodos de grandes "baixas", até porque o ciclo perene do cafeeiro impossibilita a rápida recuperação da produção em curto espaço de tempo, após estresses climáticos e no caso de novos plantios, estimulados por "altas" nos preços, a produtividade somente se eleva a partir do quarto ano de implantação da lavoura.
Mais recentemente algumas mudanças têm sido verificadas tanto na produção quando na comercialização de café, em todo o mundo, com reflexos significativos na produção brasileira. O mercado tem se tornado mais exigente em termos de qualidade do produto, com preferência pelos tipos especiais de café, além de mais competitivo, pela entrada de vários países, novos produtores e exportadores. Com isso o Brasil teve reduzida sua participação nas exportações mundiais, o que é preocupante e razão para que o País busque recuperar o terreno perdido, adequando-se às exigências do mercado e investindo maciçamente em 'marketing', pois produz um dos melhores cafés do mundo, que participa praticamente de todos os 'blends' preferidos nas várias regiões consumidoras. O que falta ao Brasil é maior agressividade em 'marketing' do seu produto, ou seja, "preocupar mais com o café da porteira da fazenda para fora".
A elevação dos custos de produção é outra variável recente que vem exigindo dos cafeicultores maior atenção nos cuidados com o manejo das lavouras, visando particularmente o aumento de produtividade. A cafeicultura brasileira é considerada de baixa produtividade, com média entre 10 e 12 sacas beneficiadas por hectare; é uma cafeicultura fadada ao insucesso nesse nível de produtividade, pois aos custos de produção atuais, produzir menos que 25 sacas por hectare pode ser considerado suicídio para a atividade, no médio e longo prazos.
Percebe-se que os cafeicultores e técnicos envolvidos na atividade devem ter uma visão globalizada do setor, se atualizarem tecnicamente através do investimento em novos conhecimentos e planejarem de maneira ordenada suas ações, para que persistam na atividade com o sucesso almejado.